IDENTIFICAÇÃO DA ERIPTOSE EM PACIENTES PÓS-TRANSPLANTE RENAL
INTRODUÇÃO: A anemia é uma complicação comum nos estágios avançados da Doença Renal Crônica (DRC). Trata-se de uma condição multifatorial, associada principalmente à redução da produção de eritropoietina, ao acúmulo de toxinas urêmicas, à inflamação crônica e à diminuição da sobrevida dos eritrócitos — processo conhecido como eriptose. Apesar de o transplante renal restaurar parcialmente a função renal, a anemia pode persistir, especialmente em função da inflamação crônica. No entanto, os mecanismos envolvidos na anemia pós-transplante ainda não estão totalmente elucidados, e o papel da eriptose nesse contexto permanece inexplorado. OBJETIVOS: Determinar a eriptose e inflamação em pacientes pós-transplante renal, por meio da análise dos níveis de hemoglobina, da expressão de fosfatidilserina em eritrócitos e da dosagem de mediadores inflamatórios no soro de indivíduos avaliados nos períodos pré e pós-transplante. MATERIAIS E MÉTODO: O estudo incluiu pacientes submetidos a transplante renal (n=20) no Hospital Santa Casa de Curitiba, com idade igual ou superior a 18 anos, que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Foram coletadas amostras de sangue antes do transplante, 5 dias, 1 mês e a cada três meses durante o primeiro ano pós-transplante. As amostras foram centrifugadas para separar o soro, armazenado para análises futuras, e os eritrócitos foram lavados e ressuspendidos em solução Tris-glicose. A exposição de fosfatidilserina nos eritrócitos foi avaliada por marcação com AnexinaV+ e análise por citometria de fluxo. As citocinas pró-inflamatórias IFN-γ e IL-1β foram quantificadas no soro por ELISA. Os dados foram analisados estatisticamente usando testes paramétricos ou não paramétricos conforme apropriado, considerando-se significativos valores de p<0,05. RESULTADOS: Os receptores de transplante renal incluídos no estudo apresentavam média de idade de 44,55 ± 12,93 anos, com predominância do sexo masculino (65%). Todos apresentavam função renal severamente comprometida pré-transplante, conforme evidenciado pelos valores reduzidos de eTFG (6,71 ± 2,13 mL/min/1,73m²) e altos níveis de creatinina (8,66 ± 2,49 mg/dL). Após o transplante, os níveis de hemoglobina inicialmente caíram (12,28 ±1,764 g/dL pré-transplante vs 9,510 ±1,534 g/dL pós- transplante), mas se recuperaram a partir do terceiro mês (13,4 ±2,492 g/dL). A exposição de fosfatidilserina nos eritrócitos, indicador de eriptose, diminuiu significativamente no terceiro (7,785 ±3,97 MFI) e sexto mês (8,556 ±4,02 MFI) quando comparado com o momento pré- transplante (10,54 ±3,49 MFI). Já os níveis das citocinas inflamatórias IFN-γ e IL-1β permaneceram estáveis durante o acompanhamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Mesmo com a persistência de um estado inflamatório de baixo grau até 12 meses após o transplante renal, a restauração parcial da função renal foi capaz de atenuar a eriptose conforme demonstrado pela redução da exposição de fosfatidilserina na membrana dos eritrócitos, indicando melhora do ambiente hematopoiético.
PALAVRAS-CHAVE: Transplante renal; Anemia; Eriptose; Fosfatidilserina; Eritrócitos.
Votação encerrada.