DEEPFAKES E A DIFAMAÇÃO DE MULHERES EM CARGO POLÍTICO
INTRODUÇÃO: A consolidação das plataformas digitais transformou a comunicação política ao ampliar a circulação de informações e favorecer a disseminação de conteúdos desinformativos capazes de comprometer o debate público e o funcionamento das instituições democráticas. Diante desse cenário, mulheres que ocupam cargos políticos passaram a enfrentar formas específicas de violência política, marcadas pela propagação de notícias falsas, manipulação de imagens, discursos de ódio e, mais recentemente, pelo uso de tecnologias de inteligência artificial para a produção de deepfakes. Esses mecanismos contribuem para a deslegitimação de suas trajetórias, reforçam desigualdades históricas de gênero, raça e identidade de gênero e dificultam a participação feminina nos espaços de poder. OBJETIVOS: Diante dessa realidade, esta pesquisa teve como objetivo analisar como a desinformação e os deepfakes atuam como instrumentos de violência política de gênero e etnia contra mulheres em cargos políticos no Brasil, identificando os principais padrões de ataque, as estratégias narrativas utilizadas e seus impactos sobre a atuação política das vítimas MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico, análise documental e estudo de casos. O corpus foi composto por 16 casos envolvendo mulheres que exerceram diferentes funções políticas e institucionais e foram alvo de campanhas de desinformação e violência digital. A coleta de dados contemplou reportagens jornalísticas, documentos oficiais, registros de instituições públicas, agências de checagem e publicações disponíveis em plataformas digitais. Os casos foram organizados em categorias relacionadas ao cargo exercido, aos tipos de ataque, às estratégias de desinformação, às plataformas de circulação e aos impactos identificados. RESULTADOS: Os resultados evidenciaram predominância de ataques misóginos, seguidos por manifestações racistas, ameaças, transfobia, sexualização, etarismo e estratégias de descredibilização política. Também foram identificados padrões recorrentes de manipulação de informações, questionamentos sobre a capacidade política das mulheres, ataques à vida privada e utilização de conteúdos produzidos para enfraquecer sua autoridade pública. Constatou-se ainda que mulheres negras, indígenas e transexuais são atingidas por formas interseccionais de violência, que ampliam sua vulnerabilidade no ambiente digital. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a desinformação e os deepfakes configuram instrumentos de violência política de gênero e etnia, comprometem a participação feminina, enfraquecem a representação democrática e evidenciam a necessidade de fortalecer políticas públicas, aperfeiçoar a regulação das plataformas digitais, incentivar a educação midiática e ampliar mecanismos de proteção às mulheres que exercem funções públicas.
PALAVRAS-CHAVE: Desinformação; Deepfakes; Comunicação política; Violência política de gênero e etnia; Mulheres em cargos políticos.
Votação encerrada.