ESPOROTRICOSE FELINA: DIAGNÓSTICO CITOLÓGICO DAS LESÕES E MONITORAMENTO DAS ALTERAÇÕES CLÍNICAS E LABORATORIAIS
INTRODUÇÃO: A expansão da esporotricose felina no Brasil tem ampliado sua importância para a Medicina Veterinária e para a Saúde Única, devido ao elevado potencial de transmissão entre felinos e destes para os seres humanos. Nesse contexto, a caracterização epidemiológica, clínica e laboratorial dos animais acometidos torna-se essencial para subsidiar estratégias de diagnóstico precoce, manejo clínico e vigilância epidemiológica. OBJETIVOS: Caracterizar os aspectos epidemiológicos, clínicos, hematológicos e bioquímicos de felinos diagnosticados com esporotricose nos municípios de Ouro Verde do Oeste e Toledo (PR), além de avaliar o desempenho da citologia por imprint como método diagnóstico. MATERIAIS E MÉTODO: Foram avaliados 44 felinos encaminhados pelos serviços municipais de Vigilância Sanitária, submetidos à avaliação clínica padronizada, inquérito epidemiológico, exame citológico por imprint e cultura fúngica. Amostras sanguíneas de 19 animais clinicamente aptos foram destinadas à realização de hemograma automatizado e análises bioquímicas séricas. RESULTADOS: A citologia por imprint foi positiva em 100% (44/44) dos casos, enquanto a cultura fúngica confirmou o diagnóstico em 88,6% (39/44) das amostras. Observou-se predominância de machos (68,2%), animais adultos (84,1%), não castrados (90,9%), errantes (68,2%) e com acesso à rua (93,2%). A forma cutânea localizada foi a apresentação clínica mais frequente (50,0%), com predominância de lesões ulceradas com crostas (86,4%), distribuídas principalmente na cabeça e nos membros torácicos. Na avaliação hematológica destacaram-se redução do hematócrito em 94,7% dos animais, alterações na contagem de hemácias (57,9%) e hemoglobina (52,6%), além de aumento do RDW em 100% dos felinos avaliados. Os parâmetros renais permaneceram preservados na maior parte dos casos, enquanto alterações nas enzimas hepáticas foram frequentes, principalmente da ALT (84,2%) e da GGT (68,4%). A elevada frequência de eutanásias (88,6%) evidenciou que a maioria dos animais foi encaminhada para atendimento em estágio avançado da enfermidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados demonstram que a citologia por imprint constitui método rápido, sensível e eficaz para o diagnóstico inicial da esporotricose felina. A associação entre avaliação clínica e exames laboratoriais amplia a compreensão das repercussões sistêmicas da infecção e fornece informações relevantes para o manejo clínico, além de fortalecer as ações de vigilância epidemiológica e controle da enfermidade sob a perspectiva da Saúde Única.
PALAVRAS-CHAVE: Sporothrix spp.; Citologia por imprint; Zoonose; Hematologia veterinária; Saúde Pública.
Votação encerrada.