AVALIAÇÃO DE PARÂMETROS DE ELETROENCEFALOGRAFIA EM PACIENTES COM DOR NEUROPÁTICA
INTRODUÇÃO: A dor crônica configura-se como importante problema de saúde pública, associando-se a piora da qualidade de vida, declínio funcional e alterações cognitivas, sendo a dor neuropática um dos seus principais componentes. A avaliação da dor crônica permanece predominantemente baseada no autorrelato. Neste contexto, estratégias inovadoras para esta avaliação podem trazer benefício significativo. OBJETIVOS: Caracterizar parâmetros eletroencefalográficos em indivíduos com dor neuropática e compará-los aos observados em indivíduos sem dor crônica, explorando o potencial do eletroencefalograma (EEG) como ferramenta complementar para avaliação neurofisiológica da dor. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional piloto envolvendo indivíduos com dor neuropática e controles sem dor crônica. Foram obtidos dados clínicos, sociodemográficos, cognitivos e farmacoterapêuticos, além de registros de EEG de repouso. Para padronização das análises, foram utilizados segmentos de três minutos nas condições de olhos abertos e olhos fechados. Os parâmetros eletroencefalográficos foram organizados em painéis analíticos relacionados à dor, cognição e possível influência da farmacoterapia. As comparações entre os grupos foram realizadas por testes não paramétricos, considerando p<0,05. RESULTADOS: Os resultados preliminares evidenciaram padrão eletroencefalográfico distinto em indivíduos com dor neuropática, com aumento consistente de atividade beta frontotemporal (p=0,001 e p<0,001, respectivamente), e alterações na reatividade de alpha posterior e theta frontal, sem lentificação global, sugerindo potencial desses parâmetros como marcadores neurofisiológicos complementares da dor. Foi ainda desenvolvido um fluxo padronizado para processamento dos registros e extração dos parâmetros eletroencefalográficos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados preliminares indicam padrão eletroencefalográfico distinto nos indivíduos com dor neuropática, destacando-se a atividade beta frontotemporal como o parâmetro mais consistente na diferenciação dos grupos. Tais achados, embora exploratórios, reforçam a viabilidade do uso do EEG para caracterização objetiva da dor neuropática e subsidiam etapas futuras de ampliação da amostra, e e integração das métricas eletroencefalográficas com características clínicas, cognitivas e farmacoterapêuticas.
PALAVRAS-CHAVE: Dor crônica; Eletroencefalografia; Dor Neuropática.
Votação encerrada.