VALIDAÇÃO DE BIOMARCADORES DE POTÊNCIA EM UM PRODUTO DE TERAPIA AVANÇADA PARA APLICAÇÃO CLÍNICA
INTRODUÇÃO: As células-tronco mesenquimais (CTM) têm sido utilizadas como Produtos de Terapia Avançada (PTA) na medicina regenerativa devido à sua capacidade de modular respostas inflamatórias. A aplicação dessas células em complicações imunológicas graves, como a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), exige a avaliação de sua potência in vitro como parte do controle de qualidade do PTA. Entre os principais ensaios de potência, destacam-se aqueles que avaliam a modulação de células do sistema imunológico e a secreção de fatores imunomoduladores pelas CTM, como a indoleamina 2,3-dioxigenase (IDO) e a prostaglandina E2 (PGE-2). Essa avaliação é fundamental para caracterizar a atividade imunossupressora das CTM derivadas da medula óssea (CTM-MO) antes de sua aplicação clínica. OBJETIVOS: Avaliar a funcionalidade de um produto de terapia avançada por meio de biomarcadores de potência. MATERIAIS E MÉTODO: Foram utilizadas três amostras de CTM-MO. As CTM-MO foram cocultivadas com as células mononucleares (CMN), fonte dos linfócitos T e o sobrenadante do cultivo foi coletado. O potencial de inibição da proliferação dos linfócitos T pelas CTM-MO foi avaliada por citometria de fluxo e os biomarcadores PGE-2 e IDO foram analisados por teste de ELISA. RESULTADOS: As CTM-MO demonstraram capacidade de inibir a proliferação de linfócitos T, com taxas de imunossupressão variando entre 16,80% e 77,01%. A análise quantitativa do sobrenadante pelo teste de ELISA revelou que as concentrações de PGE-2 variaram de 680,3 pg/mL a 2257,5 pg/mL. Algumas amostras apresentaram valores acima do limite superior da curva, indicando a necessidade de diluição. Quanto à IDO, os valores detectados variaram entre 0,527 ng/mL e 0,792 ng/mL. Algumas amostras estavam abaixo do limite inferior da curva padrão e, portanto, foram consideradas não detectáveis. Os resultados demonstram que as CTM-MO têm o potencial de inibição da proliferação dos linfócitos T e secretam biomoléculas como PGE-2 e IDO que atuam na imunomodulação dos linfócitos T. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As CTM apresentaram potencial imunomodulador, com inibição da proliferação de linfócitos T associada à secreção de PGE-2 e IDO, embora com variabilidade entre amostras. Esses resultados reforçam a importância da padronização, normalização e validação dos ensaios de potência para garantir a qualidade e reprodutibilidade dos PTA, devendo ser interpretados em conjunto com os demais parâmetros de controle de qualidade.
PALAVRAS-CHAVE: Células-tronco mesenquimais; Produto de Terapia Avançada; Imunomodulação; Linfócitos T; Biomarcadores.
Votação encerrada.