APLICAÇÃO DE SCAFFOLD DE PLA EM DEFEITO FÊMUR DE COELHO: ANÁLISE EXPERIMENTAL E DESEMPENHO REGENERATIVO
INTRODUÇÃO: A regeneração de defeitos ósseos críticos representou um desafio relevante na medicina regenerativa e na odontologia, especialmente pela necessidade de biomateriais capazes de favorecer reparo tecidual, osteointegração e neoformação óssea. Nesse contexto, o enxerto ósseo bovino Bio-Oss foi utilizado como biomaterial osteocondutor de referência, enquanto o ácido poliláctico (PLA), associado à impressão 3D, destacou-se por sua biocompatibilidade, biodegradabilidade, baixo custo e possibilidade de confecção de scaffolds personalizados. OBJETIVOS: O estudo teve como objetivo avaliar a resposta biológica, histológica e tomográfica de scaffolds de PLA aplicados à regeneração óssea em defeitos críticos de fêmur de coelho, comparando seu desempenho com o grupo controle e com o grupo tratado com enxerto ósseo bovino comercial Bio-Oss. MATERIAIS E MÉTODO: Foi utilizado modelo experimental in vivo em coelhos, nos quais foram confeccionados defeitos ósseos críticos na região femoral. Os animais foram distribuídos em três grupos experimentais: grupo controle, correspondente ao defeito ósseo sem preenchimento por biomaterial; grupo Bio-Oss, preenchido com enxerto ósseo bovino comercial; e grupo scaffold de PLA, tratado com estrutura tridimensional produzida por impressão 3D. Após os períodos observacionais, as amostras foram avaliadas por análise histológica em hematoxilina e eosina e por exames tomográficos, considerando neoformação óssea, tecido fibroso, vascularização, resposta inflamatória, osteointegração, biocompatibilidade e manutenção estrutural do biomaterial. RESULTADOS: Aos 30 dias, o grupo controle apresentou predomínio de tecido fibroso, sem neoformação óssea intradefeito evidente, enquanto o Bio-Oss permaneceu como arcabouço mineral associado a fibrose moderada e resposta focal de corpo estranho. O grupo PLA demonstrou o perfil osteogênico mais precoce aos 30 dias, com tecido conjuntivo vascularizado, osteoblastos ativos e formação de osso imaturo ou entrelaçado. No grupo PLA, aos 90 dias, observou-se matriz mineralizada envolvendo a região correspondente ao scaffold, incluindo áreas compatíveis com preenchimento dos espaços internos e aberturas laterais do implante. Aos 90 dias, o Bio-Oss evidenciou osteocondução progressiva, com novo osso em contato com partículas persistentes e reabsorção limitada; o controle apresentou remodelação óssea e medular nos campos avaliados, sem comprovação de fechamento completo do defeito crítico. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O scaffold de PLA apresentou desempenho osteogênico inicial favorável, enquanto o Bio-Oss atuou como arcabouço osteocondutor de resposta mais lenta. Os achados sugeriram que o PLA impresso em 3D representou uma alternativa promissora para regeneração óssea experimental, embora sua evolução tardia ainda necessite de avaliação complementar.
PALAVRAS-CHAVE: Regeneração óssea; Scaffold; Ácido poliláctico; Bio-Oss; Fêmur de coelho.
Votação encerrada.