Logo PUCPR

COMPARAÇÃO ENTRE PROTOCOLOS ENZIMÁTICOS PARA ISOLAMENTO DE CÉLULAS SATÉLITES SUÍNAS VISANDO APLICAÇÃO EM CARNE CULTIVADA

QUEIROZ, Karen Crystine Araújo de¹; FERREIRA, Guilherme Agostinis F²; MULLER, João Vitor M²; BARCHIKI, Fabiane²; MACEDO, Renata Ernlund Freitas de³
Curso do(a) Estudante: Biotecnologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina Veterinária – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A carne cultivada, idealizada desde 1897, representa um mercado global avaliado em mais de US$ 246 milhões. Ao longo de toda sua cadeia produtiva, diferentes enzimas são utilizadas e isso as torna um ingrediente essencial. No entanto, quando é discutida a etapa em que seu uso é crucial, o isolamento celular, há uma grande divergência metodológicas sobre quais enzimas e concentrações. De maneira semelhante, existem diferentes protocolos quanto ao uso de revestimento na superfície de cultivo durante a expansão celular. OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes enzimas (pronase e dispase II) no isolamento de células satélites musculares suínas, em condições com e sem revestimento de colágeno tipo I. MATERIAIS E MÉTODO: As amostras de músculo semimebranosus suíno foram processadas mecanicamente e submetidas à digestão enzimática com pronase ou dispase II (1 mg/mL). As células isoladas foram cultivadas em placas de 24 poços, com ou sem revestimento de colágeno, e avaliadas quanto ao tempo de cultivo, viabilidade celular, rendimento viável na primeira passagem (P1) e concentração celular acumulada até a terceira passagem (P3). Os dados coletados foram analisados por ANOVA e teste de Tukey. RESULTADOS: Os resultados demonstraram que a pronase proporcionou um tempo de confluência inicial significativamente menor (10,0 ± 1,30 dias) em comparação com a dispase II (22,67 ± 1,30 dias; P = 0,001), indicando uma dissociação tecidual mais eficiente. Na ausência de revestimento, a dispase II demandou o dobro do tempo da pronase (13,44 ± 0,70 vs. 7,00 ± 0,70 dias; PTukey < 0,001), enquanto a adição de colágeno reduziu drasticamente o tempo da dispase II para 7,00 ± 0,70 dias (PTukey < 0,001), igualando seu desempenho ao da pronase (6,33 ± 0,70 dias; PTukey = 0,903), sem alterar significativamente o tempo da pronase. Quanto a viabilidade celular, a dispase II preservou-a melhor com médias superiores (97,2 ± 1,90%) em relação à pronase (90,8 ± 1,90%; P = 0,044). A presença de colágeno aumentou significativamente o rendimento viável em P1 (2,30 ± 0,21 ×10⁵ células/g) comparado à ausência (1,43 ± 0,21 ×10⁵ células/g; P = 0,020). A concentração celular foi influenciada pela interação passagem x colágeno (P = 0,003), sendo P1 com colágeno maior que P3 do mesmo tratamento enquanto P2 e o tratamento sem colágeno foram intermediários a eles. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados obtidos evidenciam que não há um protocolo universalmente superior, mas sim uma escolha baseada no objetivo final do cultivo. A pronase é mais adequada para rapidez na obtenção de biomassa, enquanto a dispase II é preferível quando a prioridade é a alta viabilidade celular. No que se refere à influência do revestimento no cultivo, a presença do revestimento de colágeno tipo I demonstrou ser um modulador benéfico, porém somente no primeiro ciclo de expansão do cultivo e dependendo da enzima utilizada no isolamento.

PALAVRAS-CHAVE: Dissociação enzimática; Carne in vitro; Pronase; Dispase II; Revestimento.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa CNPq no programa PIBITI.
Legendas:
  1. Estudante
  2. Orientador
  3. Colaborador

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.