MONITORAMENTO ATRAVÉS DE SENSORES E ANALISE COMPORTAMENTAL DE BEZERRAS HOLANDESAS COMM TOSSE
INTRODUÇÃO: A doença respiratória bovina é um dos principais desafios na criação de bezerras leiteiras, pois pode comprometer o bem-estar, o crescimento e o desempenho produtivo futuro. Como os sinais clínicos podem passar despercebidos no início do quadro, o acompanhamento contínuo da tosse pode auxiliar a reconhecer quais animais e períodos de maior risco. OBJETIVOS: Avaliar a eficácia de um sistema automatizado de monitoramento de tosse para auxiliar de forma precoce a identificação de alterações respiratórias em bezerras Holandesas, acompanhar a evolução clínica pelo escore de Wisconsin e verificar a associação entre tosse e classificação clínica positiva. MATERIAIS E MÉTODO: O estudo foi realizado em uma propriedade leiteira localizada em Carambeí, Paraná. As bezerras foram avaliadas diariamente, os parâmetros avaliados foram, temperatura retal, tosse, secreções nasal e ocular e posição das orelhas. Os registros foram classificados pelo critério clássico de Wisconsin e por um critério adaptado para condições subtropicais. Microfones foram instalados no corredor do bezerreiro para captar eventos sonoros. RESULTADOS: Foram registradas 3.044 avaliações clínicas de 173 bezerras, das quais 2.754 foram validas. Foram identificados 479 episódios clínicos compatíveis com doença respiratória, com duração média de 3,64 dias; 59,5% permaneceram por dois dias ou mais. O escore médio aumentou de 6,3 no primeiro dia para 7,6 nos episódios com seis dias ou mais, enquanto a frequência de tosse passou de 70,1% para 88,4%. O Wisconsin clássico classificou 63,4% das avaliações como positivas e o critério Tropical, 56,1%, com concordância de 88,1%. Mesmo após a retirada da tosse da definição clínica, sua presença permaneceu associada aos demais sinais respiratórios. Em um teste exploratório com dados secundários previamente coletados, o sistema acústico apresentou acurácia de 96%, especificidade de 99%, precisão de 81% e sensibilidade de 69%. Falhas de conexão impediram a transmissão contínua dos áudios e limitaram a validação da tecnologia na propriedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O acompanhamento indicou a tosse como variável de monitoramento individual e do rebanho. O sistema automatizado reconheceu eventos de tosse, mas deve ser utilizado como ferramenta complementar à avaliação clínica. Novas coletas, com maior estabilidade de transmissão e uso de exames complementares, como a ultrassonografia torácica, serão necessárias para validar um limiar de frequência de tosse associado ao risco de doença respiratória.
PALAVRAS-CHAVE: Doença respiratória bovina; Bezerras leiteiras; Escore de Wisconsin; Monitoramento acústico; Inteligência artificial.
Votação encerrada.