AVALIAÇÃO DE POSSÍVEL ASSOCIAÇÃO ENTRE DOR E COGNIÇÃO EM PACIENTES COM DOR NEUROPÁTICA
INTRODUÇÃO: A dor crônica constitui importante problema de saúde pública e pode estar associada a alterações cognitivas. Em pacientes com dor neuropática, essa relação pode ser complexa devido à própria condição clínica e à exposição a medicamentos com propriedades anticolinérgicas, sedativas ou potencialmente relacionadas a risco cognitivo. OBJETIVOS: Avaliar a possível associação entre dor neuropática e desempenho cognitivo, considerando características sociodemográficas e a exposição farmacoterapêutica, além de desenvolver uma abordagem exploratória para futura investigação de parâmetros eletroencefalográficos relacionados à dor e à cognição. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal e observacional envolvendo pacientes em acompanhamento ambulatorial. Foram analisados 47 participantes com dor neuropática e 70 controles. A cognição foi avaliada pelo Montreal Cognitive Assessment (MoCA), e a farmacoterapia foi caracterizada considerando o Drug Burden Index (DBI) e a exposição a medicamentos de risco cognitivo, segundo o STOPP-Cog. Foram realizadas análises comparativas e modelos de regressão ajustados por características sociodemográficas e farmacoterapêuticas. Como etapa complementar, foi desenvolvido um pipeline para processamento padronizado de registros de EEG obtidos com o Emotiv EPOC X e extração exploratória de parâmetros neurofisiológicos de interesse. RESULTADOS: O DBI foi significativamente maior no grupo com dor neuropática (0,65 ± 0,85) em comparação aos controles (0,02 ± 0,10; p<0,001). Medicamentos de risco cognitivo foram identificados em 38,3% dos participantes com dor neuropática e em nenhum controle (p<0,001). Após ajuste por idade, gênero, escolaridade, DBI e STOPP-Cog, não foi observada associação independente entre dor neuropática e MoCA (β=2,35; IC95% −1,14 a 5,85; p=0,187). Entre os pacientes com dor neuropática, os expostos ao STOPP-Cog apresentaram MoCA numericamente inferior aos não expostos (15,89 ± 6,66 versus 18,76 ± 6,45), embora sem significância estatística (p=0,107). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Pacientes com dor neuropática apresentaram maior carga farmacoterapêutica e maior exposição a medicamentos de risco cognitivo, embora não tenha sido demonstrada associação independente entre dor neuropática e desempenho cognitivo. Os achados fundamentam estudos subsequentes integrando dor, farmacoterapia, cognição e parâmetros neurofisiológicos.
PALAVRAS-CHAVE: Dor crônica; Dor neuropatica; Cognição; Eletroencefalografia.
Votação encerrada.