ESTRATÉGIA INOVADORA PARA AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DA DOR SOMÁTICA
INTRODUÇÃO: A dor crônica acomete entre 30% e 40% da população brasileira e constitui uma das principais causas de incapacidade funcional no país. Apesar de sua relevância clínica e epidemiológica, a mensuração da dor permanece um desafio, já que os métodos tradicionais se baseiam em escalas subjetivas e autorrelato, que são suscetíveis a vieses e insuficientes para guiar decisões terapêuticas individualizadas. Nesse contexto, a eletroencefalografia (EEG) pode representar uma ferramenta não invasiva com potencial para identificar assinaturas neurofisiológicas associadas à dor, uma vez que a dor crônica provoca alterações na rede cortical de processamento nociceptivo. OBJETIVOS: Caracterizar parâmetros eletroencefalográficos em indivíduos com dor crônica somática e compará-los aos observados em indivíduos sem dor crônica, explorando o potencial do EEG como ferramenta complementar para avaliação neurofisiológica da dor. MATERIAIS E MÉTODO: Nesse estudo foram incluídos 83 pacientes com dor crônica somática e 70 controles, recrutados no Ambulatório Acadêmico de Medicina de Londrina. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, relacionados à dor (EVA e McGill), cognição (MOCA) e farmacoterapia. A análise exploratória do EEG foi realizada em uma subamostra de 30 participantes, utilizando registros de repouso obtidos com o dispositivo Emotiv EPOC, padronizados em três minutos com olhos abertos e três minutos com olhos fechados. Foram analisados parâmetros espectrais regionais e globais, além da reatividade entre as condições de olhos abertos e fechados. As comparações entre os grupos foram realizadas por testes não paramétricos, considerando nível de significância de 5%. RESULTADOS: Os grupos apresentaram diferenças significativas quanto ao gênero (p=0,006), IMC (p=0,019), escolaridade (p<0,001), número de comorbidades (p0,05). Os parâmetros espectrais globais também não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Adicionalmente, foi desenvolvido um fluxo padronizado para processamento dos registros e extração dos parâmetros eletroencefalográficos de interesse. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados preliminares demonstraram diferenças na atividade beta frontotemporal entre indivíduos com dor crônica somática e controles, reforçando o potencial do EEG para a caracterização neurofisiológica da dor e apontam a atividade beta como um parâmetro relevante para investigação. A ampliação da amostra e a comparação entre diferentes tipos de dor poderão contribuir para confirmar esses achados e identificar possíveis padrões neurofisiológicos associados aos diferentes mecanismos de dor.
PALAVRAS-CHAVE: Dor crônica; Dor somática; Eletroencefalografia; Atividade beta; Neurofisiologia.
Votação encerrada.