MOTIVAÇÃO, ANÁLISE, COMPREENSÃO E EFEITOS DOS TESTES GENÉTICOS NOS INDIVÍDUOS
INTRODUÇÃO: Os testes genéticos comerciais, incluindo os testes genéticos diretos ao consumidor (DTC-GT), ampliaram o acesso a informações sobre predisposição a doenças, mas levantam preocupações quanto à compreensão de risco, impactos psicossociais e decisões em saúde na ausência de orientação profissional. OBJETIVOS: Investigar os impactos psicológicos e comportamentais associados à realização de testes genéticos comerciais e desenvolver dois produtos tecnológicos educativos (agente especializado de IA e perfil online) para apoiar a compreensão e reduzir desinformação; especificamente, avaliar associações quantitativas entre variáveis do questionário e mudança de hábitos e analisar qualitativamente interpretações de predisposição genética, reações emocionais e condutas preventivas. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, transversal, descritivo-analítico, com abordagem quali-quantitativa, realizado por questionário online anônimo (Google Forms) com TCLE. Foram obtidas 401 respostas; 398participantes aceitaram o TCLE e tinham ≥18 anos; 45 (11,3%) relataram já ter realizado teste genético comercial. A análise quantitativa utilizou testes exatos (Fisher) e medidas de associação (odds ratio), considerando a lógica de ramificação do formulário. A análise qualitativa empregou Análise de Conteúdo (Bardin), com unidade de registro temática, aplicada às questões abertas sobre um cenário hipotético de predisposição ao câncer de mama, incluindo interpretação (n=38) e condutas futuras (n=39), com análise de coocorrência em subcorpus analisável (n=36) após exclusão de respostas vazias. O componente tecnológico incluiu o desenvolvimento e disponibilização pública de um agente especializado em testes genéticos (plataforma GPTs®) com limites éticos explícitos e um perfil educativo no Instagram®. RESULTADOS: Na análise quantitativa, impacto psicológico negativo associou-se a maior chance de mudança de hábitos (OR=5,89) e motivação relacionada à saúde mostrou associação relevante com mudança comportamental (OR=4,31); preocupação apresentou associação significativa com mudança de hábitos (p=0,030; V de Cramér=0,38), enquanto indicação profissional não foi significativa (p=0,285). Qualitativamente, predominou a interpretação de predisposição como risco aumentado e não diagnóstico, frequentemente acompanhada de intenção de monitorização (exames e rastreio) e mudanças de estilo de vida; quando medo/preocupação apareceu, co-ocorreu majoritariamente com condutas protetivas, sugerindo papel catalisador das emoções. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados indicam que fatores emocionais e motivacionais relacionados à saúde se associam de modo mais consistente à mudança de hábitos do que a simples indicação profissional, e que,embora haja compreensão adequada do conceito de predisposição em grande parte das respostas, persistem lacunas interpretativas que justificam intervenções educativas. Os produtos tecnológicos desenvolvidos visam apoiar a alfabetização em genética, a tradução do risco e a orientação pós-teste, com reforço da necessidade de acompanhamento profissional.
PALAVRAS-CHAVE: Testes Genéticos; Triagem e Testes Direto ao Consumidor; Comportamentos Relacionados com a Saúde; Educação em Saúde; Predisposição Genética para Doença.
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