EXAMES LABORATORIAIS DE CÃES PARA AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DE SIMBIÓTICOS ORAIS PARA O TRATAMENTO DE DIABETES MELLITUS
INTRODUÇÃO: O diabetes mellitus é uma endocrinopatia de ocorrência frequente em cães, caracterizada por alterações no metabolismo da glicose e potencialmente associada a alterações lipídicas, eletrolíticas e clínicas. A modulação da microbiota intestinal por meio de produtos bióticos constitui uma estratégia complementar potencialmente relevante no manejo metabólico desses pacientes. OBJETIVOS: Objetivos: O presente estudo teve como objetivo avaliar, de forma preliminar, os possíveis efeitos da suplementação com produto biótico sobre parâmetros glicêmicos, bioquímicos e clínicos de cães com diabetes mellitus, além de avaliar a viabilidade do protocolo experimental. MATERIAIS E MÉTODO: Foram selecionados sete cães diabeticos atendidos na Clínica Veterinária Escola da PUCPR. Os animais passaram por padronização alimentar com dieta terapêutica e foram randomizados entre grupo Biótico e grupo Placebo. A avaliação ocorreu em etapas ao longo de 44 dias de intervenção, incluindo exames bioquímicos seriados (função renal, hepática, perfil lipídico e dosagem de magnésio) e monitoramento glicêmico contínuo utilizando o sensor FreeStyle Libre™ (FSL) nos momentos T2 (pré-intervenção) e T4 (pós-intervenção). Parâmetros clínicos secundários, como evolução de peso corporal, escores dermatológicos e percepção de qualidade de vida pelos tutores, também foram analisados exploratoriamente. Do total inicial, cinco cães concluíram o protocolo (três no grupo biótico e dois no placebo). RESULTADOS: Os biomarcadores hepáticos e renais permaneceram estáveis, sem alterações sugestivas de efeitos adversos relacionados à suplementação. Observou-se também predominância de hipercolesterolemia e elevada frequência de hipomagnesemia entre os animais avaliados (80% dos cães avaliados em T1), reforçando a relevância clínica do monitoramento na rotina. Na avaliação glicêmica, três dos cinco cães que completaram o estudo apresentaram redução das concentrações séricas pontuais de glicose ao final do protocolo. Dentre os animais do grupo biótico submetidos ao monitoramento contínuo com dados completos (n=3), dois apresentaram diminuição na média glicêmica diária (reduções de 30 mg/dL e 48 mg/dL), enquanto o cão do grupo placebo com dados completos apresentou aumento da média glicêmica em 36 mg/dL. Nos parâmetros clínicos secundários, foram observados ganho de peso em dois animais suplementados e redução do prurido e dos escores dermatológicos em parte dos pacientes, embora alterações também tenham ocorrido no grupo placebo. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Embora os dados apontem tendências favoráveis no controle glicêmico, o reduzido tamanho amostral limita o estudo e com isso conclui-se que a intervenção com a formulação biótica se mostrou segura, gerando dados preliminares promissores que justificam a condução de ensaios clínicos com maior poder amostral e maior tempo de acompanhamento para validar a modulação intestinal como terapia adjuvante no DM canino.
PALAVRAS-CHAVE: Diabetes mellitus; Cães; Produto biótico; Controle glicêmico; Microbiota intestinal.
Votação encerrada.