DESENVOLVIMENTO DE UMA FERRAMENTA COMPUTACIONAL PARA MENSURAÇÃO DE FERIDAS
INTRODUÇÃO: A mensuração de feridas constitui etapa fundamental no acompanhamento clínico da cicatrização, uma vez que a redução de 40 % na área da lesão nas primeiras semanas de tratamento possui valor prognóstico estabelecido. Os métodos convencionais, fundamentados em régua descartável e sondagem, são invasivos, subjetivos e sujeitos a erros expressivos, ao passo que as técnicas digitais bidimensionais não capturam a geometria tridimensional das lesões e perdem acurácia em superfícies/relevos de curvatura acentuada. As soluções tridimensionais disponíveis, por sua vez, dependem de equipamento de custo elevado ou apresentam automação insuficiente. OBJETIVOS: Desenvolver um método capaz de detectar, segmentar e mensurar a morfologia de feridas a partir de imagens digitais, de modo a auxiliar na avaliação do processo de cicatrização ao longo do tempo, empregando exclusivamente equipamento portátil e ferramentas de código aberto. MATERIAIS E MÉTODO: Estruturou-se um fluxo fundamentado em fotogrametria de curta distância. A aquisição foi realizada com câmera termográfica bi-espectral portátil em modo de captura intervalada, com marcadores fiduciais ArUco posicionados junto à lesão para introduzir referência métrica na cena. A reconstrução tridimensional foi executada no software Meshroom, mediante o algoritmo Structure from Motion (SfM), com inclusão de um segundo nó de texturização destinado à aplicação nas imagens infravermelhas (térmicas) sobre a malha obtida a partir das imagens visíveis. A mensuração foi realizada no software MeshLab, com calibração de escala pela aresta do marcador e segmentação da lesão por índice de vermelhidão derivado da cromaticidade normalizada. A validação seguiu ordem progressiva, com três objetos de teste e dois casos reais. RESULTADOS: A reconstrução foi concluída com êxito nos objetos de teste submetidos a coleta com deslocamento da câmera e falhou na configuração com câmera estática, o que estabeleceu a variação angular entre tomadas como condição do método. Verificou-se igualmente que superfícies homogêneas e de baixo gradiente de textura comprometem a detecção de pontos característicos. No caso clínico, a partir de 287 imagens radiométricas, obteve-se modelo tridimensional texturizado com sobreposição térmica e área superficial de 34,03 cm² para a lesão, valor compatível em ordem de grandeza com a medida realizada localmente por régua. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O método mostrou-se exequível em nível de prova de conceito, demonstrando que a cadeia completa, da aquisição à quantificação, é operável sem contato com o leito da ferida e sem sensores dedicados de profundidade. A segmentação foi automatizada quanto à decisão por vértice, embora permaneça dependente de limiar determinado empiricamente. A área obtida corresponde à superfície tridimensional, grandeza distinta da área projetada fornecida pelos métodos clínicos correntes, e a validação realizada tem caráter preliminar, restrita a um caso e um operador. A incorporação de referência colorimétrica e a consolidação da validação metrológica constituem os desdobramentos prioritários.
PALAVRAS-CHAVE: Monitoramento de feridas; Suporte mecânico; Reconstrução tridimensional; Imagens infravermelhas; Imagens visíveis.
Votação encerrada.