DIGITALIZANDO O VÍNCULO: APLICATIVOS NA LUTA CONTRA A DESCONTINUIDADE DO ATENDIMENTO MÉDICO
INTRODUÇÃO: A descontinuidade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS) permanece um importante desafio para a longitudinalidade assistencial, sendo influenciada por barreiras estruturais, organizacionais, socioeconômicas e geográficas que comprometem a adesão ao tratamento e os desfechos clínicos, especialmente em pacientes com doenças crônicas. Diante desse cenário, as tecnologias digitais em saúde surgem como uma estratégia promissora para fortalecer a continuidade do cuidado, por meio de ferramentas de telemonitoramento e saúde móvel que favorecem o acompanhamento dos pacientes, reduzem custos e ampliam a segurança e a adesão terapêutica. Assim, este estudo busca avaliar o potencial dessas soluções digitais no contexto do SUS, investigando sua aplicabilidade para reduzir o absenteísmo, fortalecer o vínculo entre usuário e serviço de saúde e promover maior continuidade da assistência. OBJETIVOS: Avaliar os principais fatores que contribuem para o absenteísmo em consultas médicas e analisar de que forma o uso de tecnologias digitais, como aplicativos de saúde, pode contribuir para melhorar a adesão dos pacientes ao acompanhamento clínico contínuo. MATERIAIS E MÉTODO: O presente estudo adotou abordagem quantitativa e qualitativa, incluindo revisão da literatura e pesquisa de campo com 80 pacientes do SUS atendidos nos ambulatórios do Hospital Universitário Cajuru. Após aprovação pelo Comitê de Ética da PUCPR, foram aplicados um questionário estruturado sobre absenteísmo e o MDPQ-16, ambos disponibilizados em Microsoft Forms, para avaliar padrões de absenteísmo, proficiência no uso de dispositivos móveis e a percepção dos pacientes sobre o uso de tecnologias digitais no acompanhamento em saúde. Os dados foram analisados de forma quantitativa e qualitativa, com o objetivo de investigar barreiras à continuidade do cuidado e discutir a viabilidade de soluções digitais para fortalecer a adesão ao tratamento, mantendo integralmente a metodologia prevista no projeto aprovado. RESULTADOS: Foram entrevistados 80 pacientes (idade média de 52 anos), provenientes dos ambulatórios de endocrinologia, psiquiatria, neurologia, nefrologia e infectologia, com predomínio do sexo masculino (59,3%), ensino médio completo (30,9%) e renda entre 4 e 6 salários mínimos (38,3%). A maioria (67,9%) tinha conhecimento da consulta ou exame agendado, sendo o agendamento realizado principalmente pela central de marcação ou pela retirada da guia na unidade de saúde. O tempo de espera mais frequente para o agendamento foi entre 1 e 6 meses.Embora a maioria apresentasse elevada alfabetização digital e domínio das principais funções do smartphone, 54,4% relataram ausência ao procedimento agendado. O principal motivo para a falta foi o esquecimento da data do exame (54,1%), seguido por melhora clínica e distância do local de atendimento (16,2% cada). Entre os pacientes faltosos, muitos ainda aguardavam remarcação, e 58,0% já haviam faltado anteriormente a outro exame, reforçando o esquecimento como a principal causa de absenteísmo. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados deste estudo permitiram atingir os objetivos propostos, identificando os principais fatores associados ao absenteísmo em consultas e exames no Sistema Único de Saúde, com destaque para o esquecimento da data agendada e dificuldades de acesso aos serviços. Além disso, observou-se elevado nível de alfabetização digital entre os participantes, indicando a viabilidade da utilização de tecnologias móveis como apoio ao acompanhamento clínico.
PALAVRAS-CHAVE: Absenteísmo; Saúde digital; Longitudinalidade; Sistema único de saúde; Aplicativos móveis.
Votação encerrada.