ACHADOS DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA COMPATÍVEIS COM NEOPLASIA ENCEFÁLICA EM CÃES: ASPECTOS CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICOS E PATOLÓGICOS NO PERÍODO DE 2024-2026, CURITIBA, PARANÁ
INTRODUÇÃO: as neoplasias encefálicas representam uma condição neurológica clinicamente significativa na rotina da medicina veterinária, afetando diretamente a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes. O diagnóstico por imagem, especialmente por meio da ressonância magnética (RM), constitui uma ferramenta essencial para a avaliação não invasiva dessas lesões, fornecendo informações sobre sua localização, extensão e características morfológicas, além de auxiliar na formulação de diagnósticos diferenciais. OBJETIVOS: caracterizar os achados de ressonância magnética compatíveis com neoplasia encefálica em cães, analisando os aspectos epidemiológicos, anatômicos e as principais hipóteses diagnósticas descritas nos laudos de pacientes atendidos entre os anos de 2024 e 2026 na cidade de Curitiba, Paraná. MATERIAIS E MÉTODO: realizou-se um estudo retrospectivo e descritivo por meio da análise de 212 laudos de exames de ressonância magnética de cães com suspeita imaginológica de neoplasia encefálica. Os dados extraídos incluíram informações referentes ao sexo, faixa etária, raça, conformação craniana, localização anatômica das lesões, lateralidade, axialidade e hipóteses diagnósticas descritas nos laudos. Os dados foram tabulados e submetidos à análise estatística descritiva, obtendo-se as frequências absolutas e relativas. RESULTADOS: a avaliação epidemiológica da amostra revelou que os machos (54,7%) foram ligeiramente mais frequentes do que as fêmeas (45,3%), observando-se maior frequência de casos em animais com idade entre nove e doze anos (41,5%). Os cães sem raça definida representaram a maior parcela da amostra (26,9%), seguidos pelos Bulldogs Franceses (15,6%). Houve predomínio das conformações cranianas mesocefálica (59,9%) e braquicefálica (37,3%). Quanto à localização anatômica das lesões, observou-se maior acometimento do telencéfalo (59,9%), seguido pelo tronco encefálico (14,2%) e pela região hipofisária (11,3%). Em relação à axialidade, verificou-se distribuição semelhante entre lesões extra-axiais (48,1%) e intra-axiais (47,6%). Foram contabilizadas 299 hipóteses diagnósticas descritas nos laudos, uma vez que um mesmo paciente poderia apresentar mais de um diagnóstico diferencial. Entre as principais hipóteses diagnósticas, destacaram-se os meningiomas (23,75%), os gliomas (21,74%), os sarcomas histiocíticos (13,38%), as neoplasias hipofisárias (11,04%) e os linfomas (8,70%). CONSIDERAÇÕES FINAIS: os achados de ressonância magnética permitiram a caracterização de padrões imaginológicos compatíveis com diferentes processos neoplásicos encefálicos, contribuindo para a elaboração de hipóteses diagnósticas e para o direcionamento da investigação clínica. A maior frequência de hipóteses diagnósticas de meningiomas e gliomas, especialmente em cães de maior faixa etária, reforça a relevância da ressonância magnética na avaliação de alterações encefálicas suspeitas de origem neoplásica, bem como no direcionamento clínico e no planejamento terapêutico.
PALAVRAS-CHAVE: Neurologia veterinária; Oncologia veterinária; Diagnóstico por imagem.
Votação encerrada.