DESENVOLVIMENTO E PADRONIZAÇÃO DE PRIMERS PARA ANÁLISE MOLECULAR NA INVESTIGAÇÃO DA SÍNDROME DA HEMOGLOBINA E
INTRODUÇÃO: As talassemias constituem um grupo de hemoglobinopatias hereditárias decorrentes de alterações na síntese das cadeias globínicas, sendo a síndrome da hemoglobina E (HbE) uma importante variante da beta-talassemia. Apesar de sua elevada prevalência no Sudeste Asiático, a HbE é rara no Brasil, tornando seu diagnóstico um desafio devido às limitações dos métodos laboratoriais convencionais. Nesse contexto, a análise molecular por PCR representa uma alternativa capaz de proporcionar maior precisão diagnóstica, contribuindo para o adequado manejo clínico e aconselhamento genético. OBJETIVOS: Desenvolver e padronizar primers específicos para análise molecular da hemoglobina E utilizando a técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR), bem como validar sua especificidade por ferramentas de bioinformática e estabelecer condições adequadas para aplicação em ensaios laboratoriais. MATERIAIS E MÉTODO: Inicialmente, foi realizada a identificação da sequência do gene HBB em bancos de dados do NCBI, seguida do desenho dos primers para amplificação da região correspondente ao códon 26. Os oligonucleotídeos foram avaliados quanto à especificidade utilizando a ferramenta BLAST e analisados quanto à formação de dímeros e estruturas secundárias por meio dos softwares DINAmelt e Mfold. Após a síntese dos primers, procedeu-se à padronização da reação de PCR, definição das condições experimentais e realização de ensaio piloto em amostras de DNA humano, incluindo posterior digestão enzimática para investigação da mutação. RESULTADOS: Os primers HbE1 e HbE2 apresentaram homologia de 100% com o gene HBB, confirmando elevada especificidade para a região-alvo. As análises computacionais demonstraram possibilidade de formação de estruturas secundárias em determinadas condições, sem inviabilizar sua utilização, apenas indicando necessidade de otimização experimental. A padronização da PCR foi realizada com sucesso, evidenciando adequada amplificação do fragmento de interesse. Entretanto, durante a etapa de digestão enzimática, problemas relacionados à coloração do gel de poliacrilamida e à ausência de uma amostra controle positiva impediram a confirmação definitiva da presença ou ausência da mutação na amostra analisada, tornando necessária a repetição da análise e a validação da eficiência da digestão enzimática. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O desenvolvimento e a padronização dos primers foram alcançados com sucesso, estabelecendo uma ferramenta promissora para o diagnóstico molecular da hemoglobina E. Apesar da necessidade de validação complementar da etapa de digestão enzimática, os resultados obtidos demonstram o potencial da metodologia para aplicação na investigação de hemoglobinopatias raras, contribuindo para maior precisão diagnóstica e para futuras aplicações na prática clínica.
PALAVRAS-CHAVE: Hemoglobina E; Beta-talassemia; PCR; Primers; Diagnóstico molecular.
Votação encerrada.